A partir de investigações
preliminares e contando com o depoimento de vários detentos, a polícia
conseguiu identificar pelos menos 17 líderes do movimento que desencadeou uma
série de violência dentro e fora de várias unidades prisionais do Estado, deixando
transparecer que facções criminosas se criaram dentro e hoje dominam
completamente as cadeias do Pará.Desde o início da semana, havia algo no ar que
não era “avião de carreira”, com mensagens trocadas de dentro das cadeias dando
conta das insatisfações de presos contra o sistema.

Waldivino do Espírito Santo
Pinheiro, ouvido em depoimento, não se cognominou liderança, mas deixou claro
que foi escolhido pelos detentos para ser o porta-voz dos presos do CRPP I por
ser bem “articulado”. Eles reivindicavam, assim como os outros detentos do
complexo, melhores condições na carceragem, revisão e maior celeridade nos
processos pela morosidade e falta de andamento dos mesmos.Taurino Lemos
Conceição e Carlos Maciel Pereira
também negaram as lideranças, mas deixaram
claro que participaram de reuniões porque costumava, ser intermediadores das
reivindicações entre os detentos e os diretores, buscando sempre fazer o melhor
dentro da ala carcerária.O resultado de todo este motim foi o detento Walison
Oliveira da Silva atingido por um disparo de arma de fogo na altura do abdômen,
o detento Fernando Queiroz Freitas alvejado por uma bala de borracha em um dos olhos
e o preso José Ferreira Maia atingido em uma das pernas por um disparo de arma
de fogo, além de 14 policiais militares com ferimentos diversos devido a pedras
jogadas pelos detentos.
“QUEBRAR O ELO”
Um especialista em segurança
ouvido pelo DIÁRIO disse que a medida mais eficaz para “quebrar o elo” destas
facções criminosas seria a transferência de todo o grupo identificado para
presídios de segurança máxima existentes no país e uma medida extrema para
acabar com a entrada de aparelhos celulares que difundiram informações para
fora do presídio.
Reportagem: J. R. Avelar (Diário do Pará)
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